Defesa de Direitos Humanos com foco principal na criança e adolescente

Maquiagem carregada, vestidos brilhantes, laquê nos cabelos, pele bronzeadíssima e depilada, cílios postiços. Tudo isso acompanhado da pressão em ser a grande escolhida. Ser a mais bela e talentosa. Estes são os concursos de beleza infantil — uma verdadeira febre nos EUA — e que têm se tornado cada vez mais comuns no Brasil, como você pode ver nesse vídeo do Miss Brasil Infantil 2010.

2010 Northern Illinois Dream Girls USA Queens. Fonte: Dream Girls USA Pageant Programs.

Decidi fazer este post após assistir um capítulo do seriado Pequenas Misses, exibido pelo canal pago Discovery Home & Health, (veja parte de um episódio: Pequenas Misses – Miss Georgia parte 1).  Neste programa, a cada dia é mostrado o cotidiano de uma candidata estadunidense, sua preparação para o concurso e seus “truques de beleza”. As crianças retratadas neste seriado têm idades entre 2 (!) e 10 anos. Mas quais seriam as consequências desse tipo de exposição na vida de meninas tão pequenas?

De acordo com este seriado, fomentados pelo desejo de que suas filhas alcancem o “tão sonhado” título, pais e mães investem verdadeiras fortunas na preparação delas. E ainda afirmam com veemência que tudo é feito porque é a vontade da criança, tentando atribuir uma conotação lúdica e de divertimento para justificar a participação. Muito provavelmente, esses pais nunca se perguntaram se tal atitude não seria, na verdade, a projeção de algum anseio ou expectativa não concretizada da parte deles feita diretamente na criança. Tampouco sobre o mal que poderiam causar às suas filhas a longo prazo, pois estudos apontam que a maioria das crianças que participa de concursos de beleza pode vir a ter problemas de aceitação e de auto-imagem. Será que estas crianças realmente têm escolha?

Bastidores de um concurso de beleza infantil.

Há também a questão da erotização precoce dessas meninas. Nas competições de beleza infantil, o que se vê são garotinhas utilizando trajes de banho e desfilando como se fossem mulheres adultas, sem apresentar qualquer traço da idade que realmente têm. O artigo “Meet the pre-teen beauty addicts” do Daily Mail ilustra tal afirmação, pois contém trechos de conversas em uma comunidade de pedófilos que cita uma candidata do Reino Unido de apenas 11 anos e seus “atributos”.

Mas o que o Feminismo tem a ver com isso? Tudo!  Se nós queremos combater o sexismo e a construção de estereótipos baseados em interesses do patriarcado e desse capitalismo selvagem ao qual estamos sucumbindo, devemos começar justamente pela reflexão a respeito desse tema com relação às crianças.  É muito difícil coibir práticas como as descritas acima, que vêm ganhando cada vez mais destaque em terras tupiniquins. Mas se cada um@ de nós manifestar a sua indignação e promover a conscientização, quem sabe não podemos evitar que tantas infâncias se percam pela junção da irresponsabilidade e insegurança dos pais e a tirania soberana da indústria da imagem travestida de sonho e de glamour?

Fonte:   http://blogueirasfeministas.com

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