Defesa de Direitos Humanos com foco principal na criança e adolescente

A Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro, na zona sul, montou um comitê eleitoral informal em sua sede, imprimiu material de campanha e até estabeleceu meta de votos a ser atingida por seus pastores a fim de tentar eleger o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno.

A reportagem é de Adriana Carranca e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 07-09-2012.

Hoje à noite são esperados milhares de fiéis para o “lançamento oficial da campanha” do candidato do PRB à Prefeitura aos seguidores das 269 igrejas do pastor Marcos Galdino. Russomanno confirmou presença.

“Ao término do culto, os pastores orientarão os fiéis a não apenas votar, mas conseguir votos para o nosso candidato”, diz o filho do líder da igreja e também pastor Renato Galdino, que se apresenta como coordenador político da congregação. Filiado ao PSDB de José Serra até a semana passada, ele oficializará hoje no culto com Russomanno sua filiação ao PRB. “O objetivo de cada pastor é trazer no mínimo 100 votos para o Celso.”

O Ministério em Santo Amaro tem 500 pastores para 82 mil fiéis. Outros 2,8 mil líderes religiosos, à frente de grupos de jovens, mulheres e idosos, foram convocados a unir-se ao exército de caçadores de votos. Russomanno já conta com o apoio da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, dono da TV Record, congregação ligada ao PRB. Ele lidera as pesquisas de intenção de voto. O apoio do Ministério em Santo Amaro a Russomanno foi intermediado pelo bispo Atílio Francisco, da Universal, candidato a vereador pelo PRB.

O material de campanha produzido pela igreja inclui 1,2 milhão de cópias de uma carta – “Carta Aberta aos Cristãos” – assinada pelo pastor Marcos Galdino, em que ele pede explicitamente voto para Russomanno”. É acompanhada por outro impresso com “7 motivos para votar em Russomanno”, em que o pastor Renato usa sete provérbios bíblicos.

O material inclui 25 mil adesivos para carros e 269 cavaletes com a foto do pastor e de Russomanno, “um para cada igreja” de Marcos Galdino. A propaganda veiculará no Jornal ADBrasil, com 50 mil exemplares impressos e distribuídos gratuitamente pelo Ministério em Santo Amaro; além da TV on-line, onde os pastores pedirão voto para o candidato do PRB. Os integrantes e fiéis da Igreja estão sendo orientados a fazer o mesmo nas redes sociais.

Na calçada

Fazer propaganda eleitoral em templos é proibido pela lei 9.504/97. “Mas nós não vamos distribuir o material dentro dos templos. Teremos uma equipe para fazer isso na porta das igrejas, ao final de cada culto. E não existe nenhuma lei que proíba propaganda na calçada”, disse Renato. Para evitar problemas, o material está sendo doado por Marcos Galdino como pessoa física, com o uso de seu CPF e não do CNPJ da Igreja.

Sobre o pedido de voto pelos pastores, Renato defende: “O pedido será feito pelos pastores como pessoa física. E os fiéis não são obrigados a concordar. Entende?” A jurisprudência dos tribunais eleitorais tem demonstrado que o entendimento da Justiça é outro. “A Justiça tem entendido que nos templos qualquer ato ou fala com o objetivo explícito de obter votos para um candidato é proibido por lei”, afirma o advogado Alberto Rollo, especialista em legislação eleitoral.

Os Galdino alegam perseguição do Prefeito Gilberto Kassab (PRB). Pai e filho mostram à reportagem multa de R$ 10 mil por irregularidades no tamanho do luminoso com o nome da congregação na porta da igreja. A multa é do dia 21 de agosto.

“O Russomanno veio aqui na igreja no dia 19. Dois dias depois, recebemos essa multa nova da Prefeitura. Você não acha isso perseguição?”, afirmou. “Não quero bater, mas a verdade é que somos perseguidos.”

Aos evangélicos Russomanno prometeu regularizar a situação das igrejas que, como o Ministério em Santo Amaro, são alvo de processos administrativos por irregularidades na Prefeitura de São Paulo.

Vou colocá-lo na Prefeitura’, afirma religioso

Na saída do culto, na noite de quinta-feira, a reportagem do Estado conversava com um fiel, o analista de sistemas Rubens Santos, de 30 anos, quando o pastor Renato Galdino se aproximou, ao ouvi-lo dizer que ainda não havia decidido seu voto. “E a orientação do pastor não é válida para você?”, interrompeu. Um pouco constrangido, o fiel tentou argumentar: “Eu preferia analisar as propostas. Não sei o que esse Russomanno tem a oferecer para a cidade”.

Galdino seguiu no esforço para convencer o eleitor: “E se eu te disser que o Kassab multou a sua igreja, não vale?”, disse, referindo-se à multa de R$ 10 mil aplicada pela gestão de Gilberto Kassab, aliado de José Serra (PSDB) nesta eleição.

Ao Estado, Galdino confidenciou: “Nossa guerra agora é tirar os votos do Serra e de outros candidatos e trazê-los para o Celso”.

Seu pai e líder da igreja, o pastor Marcos Galdino, não esconde a mágoa com antigos aliados. Apoiou Kassab em 2008 e Serra em 2004, “Somos ‘amigos'”, diz Marcos, desenhando no ar as aspas. “Mas, para estes, só na hora do voto! Depois já não sabemos.” Sem falsa modéstia, ele sabe que seu apoio tem tanto peso quanto o corpo robusto. “Eu elegi Kassab e Serra! Agora vou botar o Russomanno na Prefeitura.”

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