Defesa de Direitos Humanos com foco principal na criança e adolescente

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Centenas invadem Marãiwatsédé e cacique Xavante envia carta ao governo federal

Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação – Cimi

Por Renato Santana,

de Brasília (DF)

 

Carta do cacique Damião ParadzaneCerca de 400 famílias retiradas no início deste ano pelo governo federal da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso, depois de determinação do STF, retornaram neste domingo, 2, para a vila Posto da Mata, símbolo da ocupação não-índia da antiga Gleba Suiá-Missu. Há cerca de um mês, outra invasão foi registrada pelos indígenas e debelada com força policial.

 

“São pessoas que estavam numa estrada ao lado de nossas terras e que se juntaram com gente que estava no município de Alto Boa Vista. O INCRA ainda não os reassentou e então ficam por aí servindo aos interesses dos nossos inimigos (latifundiários)”, frisa Aquilino Xavante.

 

Ameaçado, o cacique Damião Paradzane está protegido na aldeia. Porém, enviou uma carta ao governo federal denunciando a invasão e pedindo providências para que o direito dos Xavante seja preservado. Para Damião, os invasores buscam conflitos com os indígenas.

 

“Todos foram para as aldeias porque não queremos briga com essa gente. O que a gente deseja é só que o governo tome providências e os retire de nossas terras”, diz Aquilino. Ele explica que os Xavante temem que mais famílias cheguem, vindas de São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia.  

 

Conforme Aquilino, os indígenas aguardam a chegada da Polícia Federal e da Força Nacional. “Existe uma base da Força Nacional aqui, mas não sabemos por que eles não fizeram nada”, afirma o Xavante. Os indígenas são taxativos: entendem que o governo deve reassentar os posseiros, mas não abrem mão da desocupação.     

 

Juliana Almeida
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Anistia Internacional lança campanha mundial em favor de advogado e padre da CPT ameaçados no MA

A Anistia Internacional, maior entidade de direitos humanos do planeta, lançou nesta segunda-feira para todo o mundo, a partir de Londres, uma campanha em defesa de Diogo Cabral e Inaldo Serejo, coordenador estadual da CPT no Maranhão

Cabral (ao microfone) e Pe. Inaldo Serejo, terceiro da esquerda para a direita: ameaçados de morte

O advogado Diogo Cabral e o padre Inaldo Serejo, que trabalham para a ONG brasileira Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram ameaçados de morte em 25 de julho, na cidade de Cantanhede, norte do Brasil

01 de Agosto de 2011 às 13:46

Por Claudio Julio Tognolli_247 –

A Anistia Internacional, maior entidade de direitos humanos do planeta, lançou nesta segunda-feira para todo o mundo, a partir de Londres, uma campanha em defesa de Diogo Cabral e Inaldo Serejo, coordenador estadual da CPT no Maranhão. Ambos foram ameaçados na tarde de 25 de julho enquanto assistiam a uma audiência relacionada à disputa de terras entre fazendeiros locais e a comunidade quilombola de Salgado. A disputa envolve uma área de terra no município de Pirapemas, que fica a 133 km de São Luís, no Maranhão. Embora o direito da comunidade de permanecer na terra tenha sido legalmente reconhecido em outubro de 2010, os agricultores conseguiram obter uma ordem judicial de despejo, que só foi suspensa após a intervenção de Diogo Cabral e Inaldo Serejo.

Refere a Anistia que, segundo Diogo Cabral, um fazendeiro local confrontou a dupla no momento em que chegavam ao fórum, dizendo que pessoas de fora traziam problemas para o povoado e que, devido ao apoio dado à comunidade quilombola, “a gente tem que passar o fogo de vez em quando, que nem fizeram com a irmã Dorothy”.

A ameaça contra o advogado Diogo Cabral e o padre Inaldo Serejo vem, prossegue a Anistia, na sequência de uma série de ameaças contra as comunidades quilombolas na região e funcionários da CPT que os representam. Em maio de 2010, a CPT recebeu um telefonema dizendo que os alimentos das comunidades quilombolas seriam envenenados. Em 13 de junho de 2011, a sede da CPT em São Luís foi arrombada e documentos vasculhados. Dois dias depois, outro escritório da CPT, em Pinheiro, perto de São Luís, foi arrombado, sendo que foram roubados documentos e um computador. Os moradores da comunidade quilombola de Salgado queixaram-se da existência de uma campanha de assédio e intimidação orquestrada pelos agricultores locais, que vem destruindo colheitas, matando gado, cercando fontes de água e ameaçando de morte líderes comunitários.

As comunidades quilombolas são assentamentos afro-brasileiros estabelecidos pela primeira vez no final do século 16 nas áreas rurais remotas no Brasil por escravos fugidos e libertos que resistiram à escravidão. A Constituição Brasileira de 1988 (artigos 215, 216 e ADCT 68) reconhece o direito das comunidades descendentes às terras historicamente ocupadas por quilombos, afirmando que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.

Uma série de leis federais e estaduais emitidas para regular a forma como as terras quilombolas são identificadas e como os títulos são outorgados às comunidades remanescentes culminou, em 2009, na Instrução Normativa No. 57/2009 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do (INCRA). Ela estabelece as diferentes etapas administrativas – identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, remoção de ocupantes ilegais, titulação e registro de terras – necessárias para que as comunidades quilombolas consigam a titulação de suas terras.

Além da legislação nacional, o Brasil também é partidário da Convenção da Organização Internacional do Trabalho de 169, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, e da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, que reafirmam os direitos dos grupos afrodescendentes aos direitos culturais e de propriedade, bem como os princípios da não discriminação e igualdade perante a lei.Há mais de três mil comunidades quilombolas no Brasil. Centenas de processos administrativos foram iniciados antes do INCRA, mas até agora menos de 10 por cento das comunidades receberam seus títulos de terra. Este processo tem gerado conflitos em muitas partes do Brasil, com os agricultores locais usando a violência e a intimidação contra as comunidades que lutam por seus direitos à terra. Em algumas partes do estado do Maranhão, esses conflitos remontam à década de 1980, mas foram intensificados à medida que as comunidades afrodedendentes ganharam maior proteção legal para garantir seus direitos e ter suas reivindicações atendidas. Trinta líderes quilombolas na região receberam ameaças de morte.

Segue abaixo manifestação (em inglês) da Anistia Internacional:

URGENT ACTION
NGO STAFF THREATENED WITH DEATH IN BRAZIL
Lawyer Diogo Cabral and priest Father Inaldo Serejo, who work for the Brazilian NGO Comissão Pastoral da Terra (Pastoral Land Commission, CPT) were threatened with death on 25 July, in the town of Cantanhede, northern Brazil.

Diogo Cabral and the head of CPT in Maranhão state, Father Inaldo Serejo, were threatened on the afternoon of 25 July whilst attending a hearing related to a land dispute between local farmers and the Afro-descendant community, Salgado. The dispute involves an area of land in the municipality of Pirapemas, 133 km from São Luís, the capital of Maranhão state. In spite of the fact that the community’s right to remain on the land was legally recognized in October 2010, farmers succeeded in filing an eviction order which was only suspended after the intervention of Diogo Cabral and Father Inaldo Serejo.
Diogo Cabral said a local farmer confronted the pair as they arrived at the local court, saying that outsiders were bringing problems for local people, and that because their support for the quilombo (Afro-descendent) community “we have to kill people once in a while, just like they did with Sister Dorothy”. [“a gente tem que passar o fogo de vez em quando, que nem fizeram com a irmã Dorothy!’]
The threat against Lawyer Diogo Cabral and Father Inaldo Serejo follows a series of threats against Afro-descendent communities in the region and the CPT workers who are representing them. In May 2010, the CPT received a phone call saying that the quilombola communities’ food would be poisoned. On 13 June 2011 the CPT’s headquarters in São Luís was broken into, and documents were rifled through, Two days later, another CPT office in Pinheiro, close to São Luís, was broken into and documents and a computer were stolen. The residents of the Salgado quilombola community have complained of a sustained campaign of harassment and intimidation by local farmers, who have destroyed crops, killed livestock, fenced off water sources and threatened community leaders with death.
Please write immediately in Portuguese, English or your own language:
n  expressing concern for the safety of lawyer Diogo Cabral and Father Inaldo Serejo as well as the quilombola communities they represent, who have been subjected to death threats, and calling on the authorities to provide protection according to their wishes;
n  calling on the authorities to investigate all acts of violence and intimidation against these human rights defenders and Afro-descendent communities and bring those responsible to justice;
n  calling on them to complete the land reform process in the region in order to bring long-term security to these communities.
PLEASE SEND APPEALS BEFORE 2 SEPTEMBER 2011 TO:

 

Secretary of Security of Maranhão State
Exmo. Sr. Secretário de Estado
Aluísio Guimarães Mendes Filho
Av. dos Franceses, s/nº Outeiro da Cruz 65.036-280 – São Luís/MA
Fax: +55 98 3214-3735  say “sinal de fax, por favour”
Salutation: Vossa Excelência/ Your Excellency

Federal Human Rights Secretary
Exma Sra. Ministra Maria do Rosário
Setor Comercial Sul – B, Quadra 9, Lote C, Edificio Parque Cidade Corporate, Torre “A”, 10º andar,
Brasília, Distrito Federal, Brasil
CEP: 70308-200
And copies to:
Comissão Pastoral da Terra – Maranhão Rua Porto Alegre, 446,
Bairro São João, caixa postal: 50 – CEP: 77.807-070 – Araguaína-to.
Fax: +55 62 4008 6405


Also send copies to diplomatic representatives accredited to your country. Please insert local diplomatic addresses below:
NameAddress 1Address 2Address 3 FaxFax number EmailEmail address SalutationSalutation
Please check with your section office if sending appeals after the above date.


URGENT ACTION
NGO STAFF THREATENED WITH DEATH IN BRAZIL

ADditional Information

Quilombola commuities are Afro-Brazilian settlements which were first established at the end of the 16th century in remote rural areas in Brazil by escaped and freed slaves that resisted slavery. The 1988 Brazilian Constitution (Articles. 215, 216 and ADCT 68) acknowledges the right of descendant communities to the lands historically occupied by quilombos,stating that ‘Final ownership shall be recognized for the remaining members of the quilombola communities who are occupying their lands and the state shall grant them the respective land titles’. (“Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.”).
A series of federal and state laws has been issued to regulate how the quilombola lands are identified and how titles are to be given to the remaining communities, culminating in 2009 in the National Institute of Colonization and Agrarian Reform’s (INCRA) Normative Regulation No.57/2009. This establishes the various administrative steps – identification, recognition, delimitation, demarcation, removal of illegal occupants, titling and land registration – required for quilombola communities to attain title to their lands.
In addition to the national legislation, Brazil is also a party to the International Labour Organization’s Convention 169, the American Convention on Human Rights and the International Convention on the Elimination of All Forms of Racial Discrimination, which reaffirm the rights of Afro-descendant groups to cultural and land rights as well as the principles of non-discrimination and equality before the law.
There are over three thousand quilombola communities in Brazil, hundreds of administrative procedures have been initiated before the INCRA but to date less than 10 per cent of the communities have received their land titles. This process has generated conflict in many parts of Brazil, with local farmers using violence and intimidation against communities fighting for their land rights. In parts of Maranhão state, these conflicts date back to the 1980s but have intensified as afro-descendent communities have gained more rights under law to pursue their claims. Thirty quilombola leaders in the region have received death threats.
Name: Diogo Cabral and Father Inaldo Serejo
Gender m/f: Both male
Publicado originalmente no Blog Outros Olhares

Em ocupação do INCRA Andradina – SP MST reinvindica abertura imediata de negociações com MDA (via Virgulinoreidocangaco’s Blog)

Depois empossada como Presidente da República, Dilma nomeou e deu posse aos novos Ministros. Discursos e comemorações já aconteceram. Agora é chegada a hora de trabalhar. Dezenas de famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST permanecem na sede do INCRA em Andradina aguardado a presença das autoridades para iniciarem as negociações. Muito há por fazer e não se pode perder tempo.

Viva o MST! A luta é pra valer!

Em ocupação do INCRA Andradina - SP MST reinvindica abertura imediata de negociações com MDA *   *MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST Rua: Jesus Trujillo, 1011 – Centro CEP: 16.900-033 Andradina – SP

Secretaria Regional de Andradina – SP

Reforma Agrária: Por Justiça no Campo! 

PAUTA DE REIVINDICAÇAO DOS TRABALHADORES ACAMPADOS E ASSENTADOS DA REGIONAL DE ANDRADINA – SP

REIVINDICAMOS

  • Agendar uma reunião com Presidente Nacional do INCRA e/o OUVIDOR AGRÁRIO NACIONAL;
  • Assentamento imediato das 1000 famílias acampadas na região, e das 2000 famílias no estado de São Paulo e das 100 mil famílias no Brasil;
  • Desapropriação das grandes propriedades que não cumpre sua função social;
  • Atualização dos índices de produtividade defasados desde 1975;
  • Estabelecer um tamanho máximo da propriedade rural, estabelecido de acordo com cada região (por exemplo, fixar em 35 módulos fiscais);
  • Desapropriação para fins de reforma agrária as fazendas cujos proprietários estão em débitos com a união;
  • Desapropriação de fazendas onde tenham sido constatado crime ambiental ou situação de trabalho escravo;
  • Mais vistorias com mais agilidades na região e no estado

 

Processos antigos de 2001/2002

Fazenda Itapura/ Castilho: emissão dos TDA`s e pagamentos de benefícios para imissão na posse;

Fazenda Retiro/Mirandópolis: Empenho junto ao juiz para garantir a imissão e assentamento das famílias;

Fazenda Lagoão/Itapura: Gestão junto ao tribunal buscando a imissão;

Fazenda Jangada/ Sud Minucci: Gestão junto ao juiz e tribunal para apressar o julgamento

Fazenda Santa Maria/Sud Minucci: Gestão junto ao juiz e tribunal para apressar o julgamento

Fazenda Santo Ivo/Pereira Barreto: Gestão junto ao juiz para sentença e imissão

Fazenda São Jose/Mirandópolis: Gestão junto ao Juiz e Ministro do Supremo para Julgamento e imissão;

Processos de desapropriação iniciadas em 2008

Decreto urgente para Reforma Agrária das seguintes áreas: Fazenda São Jose Santo Antonio (Turmalina)

Pagamentos TDA’s

Que o governo deixa de fazer promessas de pagamentos de áreas, e realmente emite os títulos das seguintes áreas;

Fazenda Nossa Senhora Aparecida I e II (Aparecida d’Oeste)

Fazenda Ranchão (Pontalinda)

Fazenda São Jose e ST. Antonio (Turmalina)

Assentados

  • Liberação imediata e integral dos CRÉDITOS INSTALAÇÃO (Apoio Inicial, Fomento I e II, Habitação), para todos Assentamento que ainda não forram atendidos pelos mesmo (IPÊ, PENDENGO, JOSUÉ DE CASTRO, ELDORADO DOS CARAJÁS, FREI PEDRO)
  •  Leia mais —-> Read More

via Virgulinoreidocangaco’s Blog

Trabalhador rural é assassinado na Paraíba

O Trabalhador rural Jorge Aleixo da Cunha, 45 anos, foi assassinado na última sexta-feira, dia 12, nas proximidades da Fazenza Poço, onde era acampado, no município de Barra de São Miguel, PB.

A violência do latifundio ceifou mais uma vida no Estado da Paraíba. O Trabalhador rural Jorge Aleixo da Cunha, 45 anos, foi assassinado na última sexta-feira, dia 12, nas proximidades da Fazenza Poço, onde era acampado, no município de Barra de São Miguel, PB. O agricultor voltava pra casa quando foi surpreendido por duas pessoas em uma moto que o alvejaram. Segundo a perícia, o crime foi premeditado, pois não havia sinais de luta corporal ou roubo.

Apartir da interferência da Ouvidoria Agraria do INCRA, da Comissão Pastoral da Terra e de advogados que tem acompanhado o caso, e ainda segundo o delegado de Santa Cruz do Capibaribe que esteve no local do crime, as evidências é de que o fato esteja ligado diretamente com a questão da luta pela terra da Fazenda Poço.

A fazenda era um dos seis imóveis do próprietário pernambucano Agrimar Leite. Abandonado há anos e por deixar muitas dividas na região, a Fazenda Poço foi repassada para Ademar Farias no inicio do ano passado, como pagamento de uma divída. A negociação não levou em conta as 32 familias que já estavam acampados e trabalhando por lá desde 2005. Ademar Farias entrou com um pedido de desocupação e antes que a justiça ouvisse as partes o proprietário deu um prazo para que as familias deixassem o local, mas os agricultores resistiram e o despejo foi suspenso. Desde então, a comunidade vem denunciado os casos de ameaças de expulsão e uso indevido da força policial

INTOLERÂNCIA. Tortura, descaso e barbárie

Por Rosiane Rodrigues em 16/11/2010

Uma religiosa é pisoteada, puxada pelos cabelos, jogada num formigueiro e mantida assim – com várias metralhadoras apontadas para sua cabeça – durante uma incursão da Polícia Militar. Algemada, ela é posta como um animal na caçamba de um camburão e levada presa. Na delegacia, toda machucada, ela passa horas dividindo uma cela masculina com vários outros presos. A cúpula policial nega o incidente e avisa que não houve arbitrariedade dos policiais. A mulher fica com vários hematomas e as lesões causadas pelas picadas dos insetos ainda estão marcadas no seu corpo. O caso – ocorrido no final da tarde do dia 23 outubro, num assentamento de sem-terras, em Ilhéus, na Bahia – foi denunciado pela Agência de Notícias Afropress, mas só ganhou destaque na mídia local depois que o jornal Correio da Bahia publicou a história.

A sacerdotisa do candomblé Bernadete Souza Ferreira, de 42 anos, conta que foi algemada, arrastada pelos cabelos e jogada por soldados da Polícia Militar da Bahia num formigueiro por ter pedido explicações para a invasão da área do Incra – o Assentamento Dom Hélder Câmara, no sul do estado. Mãe de dois filhos e avó de uma neta de quatro anos – que presenciou toda a barbárie –, Bernadete ainda revela que, no momento das agressões, estava incorporada pelo orixá Oxossi – entidade africana, ligada à caça – e que os policiais riam e diziam que estavam tirando o “demônio, em nome de Jesus”.

Mesmo assim, o corregedor da polícia baiana anunciou que as investigações não apontam nenhuma arbitrariedade dos oito policiais envolvidos e que o caso não caracteriza tortura, nem intolerância religiosa. Segundo o advogado da vítima, Dojival Vieira, desde que o fato ganhou repercussão os policiais vêm tentando intimidar as testemunhas, fazendo “visitas” aos moradores em carros particulares. “Apesar de terem sido identificados, os nomes dos acusados não foram revelados e eles continuam dando serviço normalmente nas ruas”, denuncia Dojival. Para o advogado, os policiais deveriam estar presos administrativamente, enquadrados na Lei 9.455/97, que é a Lei da Tortura. Além da prisão dos acusados, Dojival vai exigir na Justiça indenização por danos morais para a vítima e a sua família.

Lamentações e perplexidade

Pois bem. A revolta da população – que exige uma atitude exemplar da corporação para que puna os agressores – diante das declarações infelizes do corregedor, com grande repercussão na imprensa, fez com que o governador da Bahia, Jacques Wagner, recebesse a religiosa em audiência, no último dia 10 de novembro. O governador, anteriormente, já havia declarado, através de sua assessoria, estar “absolutamente indignado” com os fatos. Mas também não mandou prender os policiais acusados, nem tomou qualquer iniciativa reparatória.

O que mais assusta é que as denúncias, que envolvem uma série de violações aos direitos fundamentais de uma mulher, religiosa, mãe de família e trabalhadora, não geram por parte do Estado nenhuma ação concreta de punição e reparação. Dojival Vieira afirma que não só a vítima, mas os religiosos de todo país, aguardam a manifestação do Ministério Público baiano pela prisão dos acusados. Lamentações das autoridades constituídas – ou simples satisfação aos meios de comunicação? – e a perplexidade da opinião pública não bastam para que casos absurdos como esse deixem de ser praticadas por servidores públicos que são, em última análise, pagos com o dinheiro dos contribuintes, para servir a toda sociedade. E “toda sociedade”, necessariamente, engloba os religiosos de matrizes africanas.

A cobertura completa do caso está aqui.

Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra

Criada em 2000 pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça (FNRA), a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar, é uma ação de conscientização e mobilização da sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Áreas acima dos 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público.

O módulo fiscal é uma referência, estabelecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que define a área mínima suficiente para prover o sustento de uma família de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ele varia de região para região, e é definido para cada município a partir da análise de várias regras, como por exemplo, a situação geográfica, qualidade do solo, o relevo e condições de acesso. A aprovação da emenda afetaria somente pouco mais que 50 mil proprietários de terras. 

A introdução desta medida resultaria numa disponibilidade imediata de mais de 200 milhões de hectares de terra para as famílias acampadas, sem despender recursos públicos para a indenização dos proprietários. Esses recursos são hoje gastos em processos desapropriatórios e que poderiam ser empregados no apoio à infra-estrutura, ao crédito subsidiado e à assistência técnica para os assentamentos.

No Brasil, 2,8% do total das propriedades rurais do país são latifúndios e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. Os minifúndios representam 62,2% dos imóveis e ocupam 7,9% da área total. O Brasil tem a segunda maior concentração da propriedade fundiária do planeta.

A Constituição Federal assegura aos cidadãos e cidadãs o “direito à propriedade”. Esta disposição constitucional é interpretada, pelos movimentos sociais e organizações do campo, como garantia de um direito absoluto e ilimitado, legitimando a concentração de imensas áreas nas mãos de poucas pessoas e grupos, enquanto a maioria da população se encontra excluída. Por meio da força e com base nesses argumentos e em leis, elaboradas pelos próprios, é promovida uma ampla distribuição das terras no país.

Diante da realidade do campo, vários segmentos sociais se mobilizam para conquistar seus direitos e o objetivo da Campanha é exigir a obrigação do Estado em garantir esse direito à propriedade da terra a todos os brasileiros e brasileiras tiram seu sustento da terra. Além disso, a Campanha também está engajada na luta contra o agronegócio e o hidronegócio no Brasil, que destroem o meio ambiente, a biodiversidade e desabrigam milhares de trabalhadores rurais, quilombolas, indígenas e comunidades ribeirinhas. Para saber mais sobre a Campanha confira o site ( www.limitedapropriedadedaterra.org.br)

* O FNRA é formado por 47 entidades que lutam pela reforma agrária, direitos humanos, meio ambiente e soberania alimentar e territorial.

Objetivos

– Propiciar formação para os/as participantes sobre os temas centrais da Campanha, qualificando os trabalhadores/as rurais e suas organizações sobre os temas propostos;
– Possibilitar uma maior integração e engajamento das diferentes forças sociais, a fim de disseminar e fortalecer a Campanha nas diferentes regiões e estados brasileiros;
– Definir formas de mobilização e organização da Campanha, dentro da reforma agrária, da soberania alimentar e da luta contra o agronegócio e do hidronegócio;
 -Construir estratégias de inserção e diálogo, em torno da Campanha, com os diferentes atores da sociedade (Estado – poderes executivo, legislativo e judiciário, meios de comunicação, universidades, organizações populares, etc) para massificar a discussão da Campanha.

Algumas ações propostas:

• Criação dos fóruns estaduais;
• Mobilizações em todos os estados para mostrar à sociedade a importância do limite da propriedade da terra;
• Participar de audiências públicas sobre a questão do limite da propriedade;
• Lançar a Campanha nos Estados e em eventos que reúna as organizações;
• Realizar seminários de formação
• Organizar ato nacional
• Realizar encontros estaduais e regionais para estabelecer estratégias da Campanha

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