Defesa de Direitos Humanos com foco principal na criança e adolescente

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GUEST POST: ACREDITE NAS CRIANÇAS (via @lolaescreva)

Mais uma história de horror que aconteceu com uma leitora quando ela era criança. Embora ela venha de uma classe social bem mais alta que a de outra leitora que foi dada pelo pai para servir de escrava doméstica, os relatos têm bastante coisa em comum. Em ambos, o mesmo desespero de estar sendo abusada por um adulto de confiança, que deveria cuidar delas. A mesma impotência de sentir que não pode fazer nada, de que ninguém acredita no que uma criança tem a dizer. Fique com o relato sofrido – e anônimo – desta leitora. E vamos levar as crianças mais a sério!
Eu venho de uma família perfeita, por assim dizer. Meus pais sempre tiveram um relacionamento tranquilo e estável; eles planejaram meu nascimento com todo cuidado, e o da minha irmã também. Meus avós sempre ajudaram e sempre foram dedicados. Tinha tudo para dar completamente certo, ser uma vida tranquila — padrão. Eu vivia cercada pelos meus primos mais novos, e cuidando deles feliz. Era tudo tão simples.
Meus pais, sempre apaixonados, deixavam muito eu e minha irmã com meus tios para curtirem um ao outro. Era só mais uma dessas noites, e estávamos todos deitados na cama vendo Cinderela, quando meu tio – que sempre fora carinhoso – passou todo o filme fazendo carinho em minhas costas. Ele sabia que eu tinha dificuldade de dormir, e me pediu, caso eu não conseguisse, para chamá-lo porque ele faria carinho em mim até eu pegar no sono…
Eu devia ter então 8 anos, mais ou menos. E, claro, confiava nele. Então, quando percebi que não ia conseguir dormir com aquela claridade, fui falar com ele. Eu parecia uma bonequinha, e ele puxou assunto sobre minhas aulas de ballet, me desafiando a colocar o joelho na cabeça. Quando eu o fiz — que criança não gosta de um desafio? — ele imediatamente esticou a mão e pressionou meu clitoris. Eu tremi, e abaixei a perna, e ele tornou a me dispensar para ver futebol, prometendo que iria lá depois.
Não entendia bem o que estava acontecendo, mas sabia que não era certo. Fiquei assustada, mas o que poderia fazer? Minha tia não estava em casa – trabalhando – e naquela época não existiam celulares. E quem acreditaria em mim? Fui para o quarto, cheia de medo, e chorei até dormir. Eu pensei – tola – que ele fosse me achar dormindo e fosse embora. Mas ele não o fez, pelo contrário, fez questão de me acordar para poder me oferecer todos os carinhos que deveriam ser dados apenas a sua esposa, e tentar me obrigar a lhe dar os mesmos carinhos, entre elogios confusos, intimidações peculiares e ameaças veladas.
Eu não disse nada para meus pais, no dia seguinte. Estava tão cheia de vergonha, e achava que era minha culpa — que eu estava ajudando-o a ser infiel. Que era minha culpa — porque o corpo é uma máquina e reage, ao menos enquanto você não tem consciência do que acontece. Lembro claramente, nesta vez, que ele me disse que eu não deveria falar nada ou eu “partiria o coração da sua tia, ser trocada por você”. Nunca fui covarde, mas não tinha a coragem necessária para contar para meus pais. Ou a confiança.
Aqui eu faço uma pausa, para explicar: no meu lindo mundo infantil, por volta dos 5 ou 6 anos, eu tinha me decidido apaixonada por um amiguinho. Ele era lindo, e nós nos dávamos muito bem, e eu queria namorar com ele quando chegasse a hora. Juntei toda a coragem necessária para contar para minha mãe como eu me sentia. E quando eu finalmente consegui, ela me respondeu: “Deixe de ser boba, você não tem idade para isso”.
Se ela não acreditava no que eu sentia, como iria acreditar no que eu contava?
Então eu fiquei em silêncio e esperei que nunca mais acontecesse nada do gênero. O que, obviamente, foi em vão. Pelos anos seguintes, cada visita era motivo para mais um abuso, em maior ou menor grau. Eu fui entendendo o que acontecia, cada vez melhor, e comecei a reagir, negar, tentar fugir. E as ameaças ganharam novos contornos de terror. Ele mataria meus pais sem deixar rastros, só precisava de uma agulha. Ele contaria a minha tia que eu vinha traindo a confiança dela. Ele faria pior. Mas, aos poucos, essas ameaças deixaram de surtir efeito. Eu me protegia de toda forma que podia até ele achar a ameaça última, aquela que me deixava tão dócil quanto uma estrela do mar estatelada.
“Você não quer? Então tá”, disse ele, e se aproximou da minha irmã. Ela é seis anos mais nova do que eu, e isto sim me deixou aterrorizada. Eu nunca a deixaria passar pelo que eu passava — eu vigiava cada momento para que nenhuma das outras ficasse a sós com ele. Eu já estava completamente na paranoia – devia ter então uns 10 anos. Então eu passei a ‘deixar’ (antes eu do que ela!), embora fosse ríspida e demonstrasse não querer. Embora meu corpo respondesse, minha boca ficava completamente em silêncio. Eu aprendi a calar o prazer e odiá-lo, porque era forçado e não real.
Meus tios se separaram quando eu tinha quase 13 anos, e de uma forma muito dolorosa. Eu continuei calada, porque achava que meus primos precisavam do pai, que talvez ele só fizesse aquilo com garotas, que talvez eu fosse a grande questão. Assumi para mim a responsabilidade do silêncio, porque nunca seria capaz de destruir uma família por algo que não poderia ser mudado.
Mas, talvez, se eu tivesse falado alguma coisa, as coisas poderiam ser melhores. Talvez, se eu tivesse falado, não teria acontecido por tanto tempo, deixado tantas marcas. Talvez meu primo mais novo nunca passasse por isso. Só que eu fui arrogante, como apenas os muito jovens podem ser, achando que poderia proteger todo mundo. E tudo que eu consegui foi deixar a coisa se disseminar sem que ninguém visse por mais algum tempo.
Eu sempre me pergunto que tipo de horrores eles passaram nas mãos do pai — se ainda passam — e se eu tivesse falado daquela primeira vez, ou em qualquer outra, eu poderia ter diminuído o tamanho do problema. Eu tinha medo demais que duvidassem de mim, as crianças geralmente têm. Nós damos sempre mais valor à palavra dos adultos que das crianças, e não falamos nada para elas sobre esses assuntos, porque não queremos estragar sua inocência.
É preciso que a gente denuncie, sim. Mas, primeiro, precisamos ensinar nossas crianças que elas podem e DEVEM falar. Que não importa o que elas sentiram, não tem problema, não é culpa delas. Que nós as escutamos, e acreditamos.

Pedófila é presa em São Bernardo

Henrique Munhos
Especial para o Diário

A massagista Claudia Gonçalves da Silva, 37 anos, foi presa na manhã de ontem, em São Bernardo, depois de ter sido condenada por crimes de pedofilia cometidos em 2003.

A sentença foi publicada no dia 21. Claudia foi condenada a nove anos e quatro meses de prisão, por atentado violento ao pudor, em razão de ter abusado de dois sobrinhos e duas primas. As crianças tinham entre 7 e 9 anos. Uma das meninas tem paralisia cerebral.

Claudia foi presa em frente à sua casa, que fica no bairro Assunção. A massagista, que é casada e tem uma filha de 1 ano, permaneceu na Delegacia da Mulher de São Bernardo até as 15h, quando foi transferida para a cadeia feminina do bairro Taboão.

De acordo com o inquérito, a avó deixava as crianças aos cuidados de Claudia, que então abusava dos pequenos. Claudia os convidava para assistir TV, e pedia para que a beijassem e a acariciassem.

A delegada Ângela Ballarini afirmou que os policiais ficaram perplexos com o caso. “Não é comum ver uma mulher que cometeu crimes de pedofilia. Quando acontece, o criminoso é sempre o homem. Nunca tinha visto uma condenação assim.”

Os vizinhos do prédio em que Claudia vive com a família não quiseram se pronunciar, assim como o marido dela.

A delegada disse que não foi realizado exame de corpo delito nos menores, já que os crimes de Claudia não deixaram vestígios. “Chegou-se à conclusão de que a ré era culpada com base nos depoimentos das crianças, que se complementavam e nunca entraram em contradição”, explicou Ângela.

No inquérito, a avó das crianças afirma que os familiares pressionaram a acusada. Claudia teria confessado os crimes e dito que o ‘Satanás” a havia induzido a cometê-los.

Ao Diário, Claudia afirmou que não cometeu nenhum dos atos contra os parentes. “Nunca tive desejo por nenhum menor. Ajudei a criar essas crianças, e nunca fiz nada contra elas”. Ela afirmou que a família irá recorrer da decisão da Justiça.

Pai de três crianças abusadas se diz aliviado com condenação

L.E, 43 anos, é pai de três crianças abusadas pela massagista Claudia Gonçalves da Silva, e disse estar “muito contente” com a prisão. “É um alívio saber que uma mulher dessas está fora do convívio da nossa sociedade.”

Segundo o pai, em 2003, o filho mais velho afirmou estar com problemas. “Quando perguntava o que aconteceu, ele dizia estar com vergonha e chorava”, afirmou E. Ele lembra que somente depois de muita conversa o filho revelou os abusos da tia.

O pai procurou o Conselho Tutelar e registrou boletim de ocorrência. Depois disso, nunca mais viu Claudia. “O trauma foi muito grande. Claro que ficou uma marca, mas eles se restabeleceram. Fico feliz ao ver que a justiça foi feita.”

Fonte: http://www.dgabc.com.br

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